sexta-feira, 3 de abril de 2009

Balanço da Cúpula.

Agora que boa parte do G-20 foi para Baden-Baden tomar uma cervejinha e discutir um pouco de assuntos bélicos, podemos discutir o resultado da reunião de Londres. Ontem, os lideres dos países “mais importantes do mundo” (porque a imprensa insiste em repetir essa expressão estúpida?!) soltaram o comunicado com o resultado das discussões.
No campo da retórica vazia os lideres chegaram a impressionante conclusão de que é necessário: restore confidence, growth, and jobs; repair the financial system to restore lending; strengthen financial regulation to rebuild trust; fund and reform our international financial institutions to overcome this crisis and prevent future ones; promote global trade and investment and reject protectionism, to underpin prosperity; and build an inclusive, green, and sustainable recovery. Esse resultado até me lembrou de uma piada: quantos líderes de nações mais importantes do mundo são necessários para se chegar um resultado desse? Basta um Lula, e 19 para fazer um fundo internacional para financiar um aporte vitalício de cana!
Pois é, mas surpreendentemente, a brincadeira foi mais longe e they committed to make available an additional $1.1 trillion programme of support to help the world economy through the crisis and to restore credit, growth and jobs. Most of this will be provided through the international financial institutions. Por essa quantia nem eu nem ninguém esperava! As bolsas subiram, foi elogio pra tudo que foi lado! Fantástico, mas nada de mudança estrutural até agora... A mudança estrutural até apareceu no comunicado, mas com pouca objetividade, os Leaders agreed to strengthen the financial system by putting in place a better and more credible system of surveillance and regulation to take account of macroprudential risks and prevent excess leveraging, including (for the first time) regulation and oversight of large hedge funds and credit rating agencies. They also agreed actions to tackle non-cooperative jurisdictions and common principles for executive remuneration. Eu sempre preferi a Mãe Diná às agencias de risco, elas que se explodam.
Fund and reform our international financial institutions to overcome this crisis and prevent future ones. Esse aqui eu só acredito vendo. Falou-se até em acabar com a política do café com leite do Banco Mundial e do FMI, uma tradição que vem desde Bretton Woods. Ouvi falar que o Pedro Malan já até indicou o candidato dele para vaga no Fundo...
Promote global trade and investment and reject protectionism, to underpin prosperity: Essa aqui todo mundo já esperava! Mas repito, porque não começar com os subsídios agrícolas??? Queria ver a cara da Cristina Evita Kirchner falando contra protecionismo.
Build an inclusive, green, and sustainable recovery: seriam 50 bilhões de dólares para serem aplicados em países pobres. Se não tiver as condicionantes do passado, seria uma ótima ajuda. Mas tem muitos que estavam ali na Cúpula que tremem só de pensar em pegar empréstimos do FMI.
Essa cúpula vai deixar saudades mesmo, não tanto pela reunião, mas tudo que estava ao redor. Desde o polêmico abraço da Frist Lady na Rainha (os ingleses detestaram ver sua rainha agarrada pela Michelle Obama, ainda bem que o Lula não encontrou a rainha, porque ele podia quebrar mais do que o protocolo, mas também costelas reais), o Sarkozy ameaçando ir embora (quando eu tinha 10 anos eu fazia a mesma coisa, quando minha avó não me dava chocolate no almoço de domingo: chorava pra ir embora, mas não ia), o Lula chamando o Obama de baiano, enfim, em setembro parece que tem mais comédia.

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