quinta-feira, 9 de abril de 2009

Você ainda vai voar em um avião Mitsubishi...

O governo japonês está tendo uma recaída para desenvolver uma indústria estratégica, como fez com a Toyota há um tempo atrás. O alvo agora é a indústria aeronáutica: os japoneses estão jogando dinheiro a rodo para a fabricação de um modelo de jato de 95 assentos, com lançamento previsto para 2013. O governo japonês vai financiar quase que integralmente os custos para o desenvolvimento da aeronave, no valor de US$ 1,2 bilhão.

Adivinha quem é o principal prejudicado com esse subsidio deslavado do governo japonês? Uma empresa tupiniquim que vocês devem conhecer: a Embraer. Por mais estranho que pareça, o novo avião da Mitsubishi atinge diretamente a Embraer porque o jato japa bate de frente com o seu modelo de maior força comercial, o EMB 190.

Não bastasse uma empresa brasileira de alta-tecnologia reclamando contra subsídios no exterior, esta ainda pode se unir com sua arquiinimiga, a Bombardier para, com a chancela de seus respectivos países, acionarem o Órgão de Solução de Controvérsias (OSC) da OMC contra o subsídio japonês.

Conforme vocês devem saber Bombardier e Embraer passaram anos brigando justamente no OSC pelo mesmo motivo: subsídios.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Balanço da Cúpula.

Agora que boa parte do G-20 foi para Baden-Baden tomar uma cervejinha e discutir um pouco de assuntos bélicos, podemos discutir o resultado da reunião de Londres. Ontem, os lideres dos países “mais importantes do mundo” (porque a imprensa insiste em repetir essa expressão estúpida?!) soltaram o comunicado com o resultado das discussões.
No campo da retórica vazia os lideres chegaram a impressionante conclusão de que é necessário: restore confidence, growth, and jobs; repair the financial system to restore lending; strengthen financial regulation to rebuild trust; fund and reform our international financial institutions to overcome this crisis and prevent future ones; promote global trade and investment and reject protectionism, to underpin prosperity; and build an inclusive, green, and sustainable recovery. Esse resultado até me lembrou de uma piada: quantos líderes de nações mais importantes do mundo são necessários para se chegar um resultado desse? Basta um Lula, e 19 para fazer um fundo internacional para financiar um aporte vitalício de cana!
Pois é, mas surpreendentemente, a brincadeira foi mais longe e they committed to make available an additional $1.1 trillion programme of support to help the world economy through the crisis and to restore credit, growth and jobs. Most of this will be provided through the international financial institutions. Por essa quantia nem eu nem ninguém esperava! As bolsas subiram, foi elogio pra tudo que foi lado! Fantástico, mas nada de mudança estrutural até agora... A mudança estrutural até apareceu no comunicado, mas com pouca objetividade, os Leaders agreed to strengthen the financial system by putting in place a better and more credible system of surveillance and regulation to take account of macroprudential risks and prevent excess leveraging, including (for the first time) regulation and oversight of large hedge funds and credit rating agencies. They also agreed actions to tackle non-cooperative jurisdictions and common principles for executive remuneration. Eu sempre preferi a Mãe Diná às agencias de risco, elas que se explodam.
Fund and reform our international financial institutions to overcome this crisis and prevent future ones. Esse aqui eu só acredito vendo. Falou-se até em acabar com a política do café com leite do Banco Mundial e do FMI, uma tradição que vem desde Bretton Woods. Ouvi falar que o Pedro Malan já até indicou o candidato dele para vaga no Fundo...
Promote global trade and investment and reject protectionism, to underpin prosperity: Essa aqui todo mundo já esperava! Mas repito, porque não começar com os subsídios agrícolas??? Queria ver a cara da Cristina Evita Kirchner falando contra protecionismo.
Build an inclusive, green, and sustainable recovery: seriam 50 bilhões de dólares para serem aplicados em países pobres. Se não tiver as condicionantes do passado, seria uma ótima ajuda. Mas tem muitos que estavam ali na Cúpula que tremem só de pensar em pegar empréstimos do FMI.
Essa cúpula vai deixar saudades mesmo, não tanto pela reunião, mas tudo que estava ao redor. Desde o polêmico abraço da Frist Lady na Rainha (os ingleses detestaram ver sua rainha agarrada pela Michelle Obama, ainda bem que o Lula não encontrou a rainha, porque ele podia quebrar mais do que o protocolo, mas também costelas reais), o Sarkozy ameaçando ir embora (quando eu tinha 10 anos eu fazia a mesma coisa, quando minha avó não me dava chocolate no almoço de domingo: chorava pra ir embora, mas não ia), o Lula chamando o Obama de baiano, enfim, em setembro parece que tem mais comédia.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

laisser faire, laisser faillite...

Não, nunca os Estados Unidos deixarão a poderosa GM falir!

Na hora que a casa está caindo vale-tudo! Dane-se toda a retórica do livre comércio, dana-se o "tratamento nacional". Vale até o próprio governo americano preparar um plano para uma empresa mais que privada continuar em operação. Pior que isso só se o governo descontasse o dinheiro gasto em automóveis fabricados por GM e Crysler do imposto de renda... Aliás, isso já não foi cogitado?? (vide http://www.reuters.com/article/topNews/idUSL117698620090401)

Enquanto isso, em Londres, manifestantes quebram tudo protestando contra a ganância das instituições financeiras, a ordem era: se está de terno, senta o martelo! As autoridades inclusive recomendaram que os executivos dos bancos fossem trabalhar com roupas mais confortáveis, tipo bermudão e camiseta... Se fosse no Rio a turma podia até pegar uma praia na hora do almoço, mas não combina muito com o clima londrino. (vide http://www.guardian.co.uk/world/2009/mar/29/g20-protests-london)

E lá no meio da Cúpula de Londres, ficam os líderes das vinte nações mais industrializadas jurando que não vão cair nas tentações o protecionismo, e que o sistema financeiro internacional precisa ser reformada, no final não fazem nem uma coisa nem outra, e pode ser que ainda tomem uma martelada na cabeça.
(vide http://www.g20.org/)

Nesse contexto, vale citar o Primeiro Ministro Gordon Brown, que por sua vez citou nosso presidente: "Eu estive na semana passada no Brasil e eu acho que o presidente Lula vai me perdoar por citá-lo... Ele me disse: 'Quando eu era sindicalista, eu culpava o governo. Quando eu era da oposição, eu culpava o governo. Quando eu virei governo, eu culpei a Europa e os Estados Unidos'". (Vide: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/04/090401_brown_obama_dg.shtml)